16 de dezembro de 2010

o tom

Já há algum tempo não nos víamos nem nos falávamos. Tudo o que eu sabia eram as pequenas bobagens de 140 caracteres escritas no twitter, essa rede para mim ainda incógnita. Então um dia eu o encontrei. Em uma madrugada, na volta ou no caminho de uma noite qualquer, ele estava escorado em um táxi em uma esquina. Os ombros inclinados, olhando para baixo, as mesmas roupas de que eu me lembrava. Cheguei sem saber o que dizer e, quando dei por mim, estávamos dentro do carro conversando. Discutindo e não discutindo, nossas vozes baixas. Ele me falava com toda a naturalidade da namorada, e eu escutava, também com naturalidade, quando - eu não sabia. Não estou mais certa acerca do que eu disse em seguida, só me lembro de desejar não chorar ao mesmo tempo em que sentia lágrimas escapando dos meus olhos e se misturando com o que quer que eu estivesse tentando dizer, deixando minha voz pastosa, enquanto ele ainda falava, agora em tom de desespero. Pudemos ouvir passos fortes aproximando-se, o som característico dos saltos, e ela, ou quem eu supus ser ela, abriu a porta do táxi com alguma violência e entrou, não gritando, mas falando em um tom de voz um tanto elevado. Ou talvez não. Talvez fosse aquele seu tom de voz natural. Tem pessoas que falam mais alto, que não precisam de muito esforço para serem ouvidas. Eu olhei para ele, saí do carro e voltei para casa a pé. Pensando só em dormir. Em silêncio.

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