2 de junho de 2018

uma noite dessas

Uma parte de mim quer tentar. Sabe? Talvez pessoalmente, talvez pela internet. Não importa muito, porque de um jeito ou de outro vamos nos ver no dia seguinte. E no outro. E no outro. E em todos os outros até onde consigo avistar futuro.

Eu não tenho absolutamente nada a perder, digo para mim mesma. Não somos nada — no máximo continuaremos não sendo nada depois de um “oi, quer tomar uma cerveja uma noite dessas?”.

Uma noite dessas. 

Sem janelas embaçadas, água escorrendo nas paredes, piso molhando, roupas e cabelos úmidos. Tudo o que agora deixa minhas noites mais felizes, mas que não é particularmente favorável ao florescimento de qualquer conversa.

***

“Como foi o dia hoje?”, ele costuma perguntar. Não é como se eu fosse conseguir contar, mesmo quando é exatamente o que eu gostaria de fazer. 

Em casa, sirvo uma taça de vinho e abro o livro que estou enrolando para terminar, mas de novo sou obrigada a parar porque vejo meus pensamentos indo para outro lugar. Para todas as coisas em comum. Para tudo o que vejo sem fazer esforço. Na superfície do que pode aparecer quando se começa a conviver com uma pessoa sem necessariamente ter intimidade com ela. As músicas. O jeito de tratar as pessoas. As leituras. Os pedaços de vida que, de caso pensado, revelamos em perfis de Instagram e Facebook.

Pode ser o vinho falando.

Tu não pode fingir que não tá vendo. Não pode ficar sentada e não fazer nada. Não pode deixar passar. Foda-se se não der em nada, não dá é pra repetir o erro do ano passado. Tu não tem nada a perder. 

Mas é fácil querer tentar tomando um vinho no sofá.

***

Oi, eu digo. Pilha tomar uma cerveja uma noite dessas, se estiver de bobeira por aí?